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Semelhante peso é dado aos contactos entre Portugal e a restante Europa durante a Idade Média e à presença de estrangeiros no seu espaço, sobretudo mercadores italianos e flamengos, resultado da sua localização geográfica nas rotas comerciais entre norte e sul europeus, enfatizando como tais contactos contribuíram para o incremento do comércio externo português, para a internacionalização dos seus nacionais e para o aumento do conhecimento e experiência navais. Foram estas atividades, defende, que possibilitaram a criação e testagem dos mecanismos que vieram a ser instrumentais na expansão – caso da feitoria como estação de troca comercial, inaugurada pelos portugueses na Flandres e prevalente depois no Índico e na costa africana. O Autor atribui aos portugueses dos séculos XV e XVI, por sua vez, um papel pioneiro na expansão europeia, não apenas como navegadores/exploradores, mas também por terem sido os primeiros a pôr em prática as estratégias e sistemas coloniais que se tornariam prevalentes nos séculos seguintes. Tal é o caso, a seu ver, tanto da vertente comercial “capitalista” – mais acentuada nas feitorias africanas e na Ásia portuguesa – assente no monopólio régio, como da colonização e povoamento do território, cujos moldes (institucionais, económicos, etc.) foram ensaiados primeiro nas capitanias das ilhas atlânticas e, de seguida, no Brasil. Este último espaço, contudo, foi também marcado pela intensa utilização do trabalho escravo na atividade agrícola e mineira, que segundo este Autor contribuiu para uma certa estagnação social e ausência de desenvolvimento. Não obstante o reconhecimento desta natureza precursora dos portugueses e a admiração que nutre pelos “grandes feitos” deste povo, Diffie foi intransigente em apontar o dedo a noções sem base histórica perpetuadas por uma historiografia nacionalista, em particular os mitos sobre a “Escola de Sagres” do Infante D. Henrique e os avanços científicos que alegadamente nela tiveram lugar. Como demonstrava nas suas obras, o know-how técnico e o conhecimento do mundo de que os portugueses faziam uso eram em partes iguais uma herança do mundo mediterrânico medieval e um desenvolvimento novo dos navegadores. |
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