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Fisher observa que as décadas entre 1700 e 1760 assistiram a um crescimento estável do comércio entre os dois países e que, pelo contrário, a década de 1760 foi de queda acentuada do mesmo comércio, que se manteria relativamente mais reduzido até à viragem do século. São discutidos vários possíveis fatores que contribuíram para esta alteração, entre eles o fomento das manufaturas nacionais em Portugal. Durante todo o período em estudo o Reino Unido manteve um excedente (embora mais reduzido na fase final, quando as suas exportações diminuíram de valor e as portuguesas se mantiveram consistentes) em relação ao seu parceiro comercial, excedente que Portugal saldava através das remessas regulares de metal precioso, o “bulhão”. Esse “bulhão”, ou seja, o ouro do Brasil (ao qual acresciam também os diamantes da mesma proveniência) constitui uma das mercadorias-chave do comércio que o Autor analisa, uma cujo crescimento é diretamente responsável pelo maior volume de trocas comerciais entre os dois países. Embora a saída de bulhão para o estrangeiro fosse proibida pela lei portuguesa (dificultando estimativas do volume destas remessas), o Autor aponta que ela tinha lugar com muita frequência, com as autoridades a fechar os olhos exceto quando lhes era conveniente confiscar um carregamento. Fisher apresenta dados mostrando que moedas de ouro portuguesas tinham na época enorme circulação nas cidades inglesas. A outra grande exportação portuguesa para a Grã-Bretanha era o vinho. O Autor deixa de lado as castas madeirenses para se focar no vinho do Porto, cujo consumo em Inglaterra se popularizou no século XVIII, suscitando o importantíssimo desenvolvimento da região vinícola do Douro. Fisher vê na rivalidade com a França a raiz da maior procura inglesa por vinhos portugueses, que simultaneamente provoca e beneficia com a mudança de gosto do público britânico. Em contrapartida, não atribui muita importância ao célebre Tratado de Methuen de 1703, considerando que o estímulo dado por este ao comércio teria sido apenas temporário. Nota que eram os mercadores britânicos, estabelecidos em Portugal, a controlar tanto a compra do vinho aos produtores como o seu transporte para o Reino Unido. |
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