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Por sua vez, a acrescida prosperidade económica em Portugal nesta fase, resultante em parte do crescimento vinícola, é, segundo o Autor, a causa da maior procura de manufaturas inglesas, em especial de artigos têxteis, explicando o aumento da sua importação – até porque o desenvolvimento de manufaturas autóctones não era então uma prioridade. Os têxteis constituíam de longe a mais importante mercadoria de exportação inglesa para Portugal, mas este último importava também artigos de luxo (mercado criado pelas minas do Brasil) e bens alimentares. Existia ainda um importante setor de transportadores marítimos ingleses, de passageiros e mercadorias – inclusive para o Brasil, já que os navios estrangeiros que para lá se dirigissem tinham forçosamente de fazer escala na metrópole. Fisher não se limita aos aspetos quantitativos do comércio anglo-português setecentista. Na sua obra, descreve os modelos em que esse comércio se processava, os setores (ingleses e portugueses) e o capital envolvidos em cada uma das mercadorias, as diferenças entre os vários ramos e várias outras vicissitudes dos seus processos. Se menos original nestes aspetos, não deixa de ser igualmente claro e rigoroso na sua exposição. O Autor presta ainda atenção a uma vertente comercial então muitas vezes descurada pelos analistas: o tráfego entre Portugal e as colónias britânicas da América do Norte, consistindo este, na generalidade, em importações pelos portugueses de géneros alimentícios (bacalhau e cereais), cujo transporte tendia também a ser levado a cabo por mercadores ingleses. Mais do que os efeitos na história portuguesa, para Fisher, a relevância do comércio anglo-português e do seu estudo está sobretudo no impacto que essa relação possa ter tido para os desenvolvimentos na sua pátria na época seguinte – nomeadamente, na Revolução Industrial. Conclui que os lucros consistentes que este comércio trazia à classe comercial inglesa e as injeções de ouro na sua economia contribuíram de modo significativo para aumentar a riqueza do país, só assim tendo sido possível a transformação que se verificou. Paralelamente, o mercado para bens têxteis ingleses que Portugal constituía teria levado, defende, ao desenvolvimento deste setor. |
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