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A visão histórica de Elaine Sanceau é tradicional na sua apresentação e valores e em larga medida personalista, focada muito mais em personalidades e ações individuais do que em estruturas ou processos. As figuras de D. Henrique, D. João II e Afonso de Albuquerque são vistas como sendo quase unicamente responsáveis, nos seus respetivos momentos históricos, por impulsionar e dirigir a missão portuguesa de descoberta e conquista (ao infante e seus irmãos, por exemplo, é atribuída a responsabilidade pela expedição de Ceuta). Devido a esta visão, o seu caráter é enaltecido e os seus feitos elogiados, adotando a biógrafa um certo partidarismo e apologia dos seus biografados contra os inimigos e críticos – antigos e modernos – dos mesmos. Essa defesa é estendida a outras figuras, caso de Vasco da Gama, ao passo que noutros casos, como D. Manuel I, o retrato é mais crítico e ambivalente. Se as vidas e feitos destas grandes figuras servem para ilustrar o período da Expansão, o mesmo pode ser dito da miríade de indivíduos, menos célebres, mas ainda notáveis, que participaram nesta empreitada nacional. Assim, as obras mais “temáticas” da Autora passam por uma enumeração de casos particulares dos indivíduos e famílias – com amplo detalhe biográfico e, se existente, genealógico – que combateram no norte de África, navegaram para a Índia ou povoaram as várias capitanias do Brasil. Através destes exemplos Sanceau procura descrever o cenário e a sociedade do império global português, resultado daquela “grande aventura” seiscentista. A Autora faz uma leitura amplamente positiva das ações dos navegadores e conquistadores portugueses. Encontramos nas suas obras um discurso glorificador dos “Descobrimentos”, enfatizando os feitos heroicos e as vitórias, enquanto os aspetos passíveis de crítica são justificados como produto da mentalidade do passado. À Expansão, admitindo embora a vertente comercial, Sanceau atribui sobretudo motivações altruístas, desinteressadas e meritórias: o espírito cruzadístico e missionário do povo português e a curiosidade científica dos seus líderes. Quanto aos resultados de tal façanha, obra prodigiosa de uma nação tão reduzida em número, traduzem-se no aumento do conhecimento do mundo, na ligação entre as várias partes do globo (inaugurando uma nova era) e na introdução da civilização aos povos de África e das Américas. |
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