![]() |
|||||||||||||
| | A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z | Estrangeiros | |||||||||||||
![]() |
|||||||||||||
|
A sua história da Península Ibérica constitui uma narrativa extensa, preenchendo cinco volumes e abrangendo todo o intervalo entre a época dos celtas e iberos (da qual o conhecimento histórico era ainda muito limitado) e a Revolução Francesa, que tivera lugar poucos anos antes do nascimento do Autor. O período medieval é o que recebe mais atenção, ao passo que o moderno é percorrido com maior brevidade. Trata-se sobretudo de uma narrativa política, cronicando as ações dos monarcas de cada um dos reinos ibéricos, com especial destaque para as batalhas e campanhas militares. Mas contém também capítulos dedicados às instituições (administrativas e jurídicas) e “costumes” desses mesmos reinos, bem como às suas tradições artísticas e literárias e à história religiosa – no caso desta última, reporta longamente milagres e martírios, ainda que duvide da sua veracidade histórica. Como expectável da historiografia da primeira metade do século XIX, os aspetos sociais são limitados e os factos económicos quase completamente ausentes. O Autor aborda a questão dos fueros /foros medievos, dos privilégios que estes concediam aos habitantes dos concelhos na Península e da representação desses concelhos nas cortes, concluindo que a autonomia dos mesmos foi exagerada pela historiografia e que na verdade tais instituições não podem ser consideradas um exemplo de poder popular ou “democrático”, estando em vez disso totalmente dependentes da vontade dos reis, em todos os países ibéricos. Depreende-se claramente da sua escrita que Dunham perfilha a religião cristã e algo é devoto. Apesar disso, não tende a crer em intervenções do divino na história, como referido. Para seu crédito, utiliza fontes de proveniência islâmica quando aborda o passado muçulmano da Península, considerando-as tão fidedignas como as cristãs contemporâneas. Não se coíbe de elogiar governantes e estadistas “infiéis” quando sente que os mesmos são dignos de louvor, nem de referir as luzes intelectuais e artísticas da era islâmica. É também crítico das perseguições históricas contra judeus e outros não cristãos. Na sua censura apaixonada do Tribunal do Santo Ofício encontramos talvez traços da lenda negra que se popularizou na Europa do Norte a propósito desta instituição. Por outro lado, o Autor vê com bons olhos a Companhia de Jesus e censura a sua expulsão de Portugal e Espanha. Quando se refere aos habitantes das Américas e da África subsaariana a sua perspetiva está em sintonia com as ideias dominantes na sua época, encarando-os como meros “selvagens” incivilizados. |
|||||||||||||