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Nowell publicou duas histórias de Portugal, a primeira em 1952 e a segunda em 1973. O conteúdo de ambas não difere substancialmente, à parte cobrir na segunda os vinte anos que o distanciam já da primeira. Trata-se de obras de divulgação para o público americano não-entendido, algo que o próprio Autor reconhece na introdução ao livro de 1973, não apresentando aspetos particularmente inovadores. Baseia-se sobretudo nas histórias de Portugal de Fortunato de Almeida e de Damião Peres, que cita amplamente, ao lado de outras obras de historiadores portugueses (tão diversos como João de Ameal e Vitorino Magalhães Godinho) e estrangeiros (como Harold Livermore, Samuel Morrison e Bailey Diffie) e de fontes primárias e relatos de época (como os de Rui de Pina e João de Barros). A sua narrativa é primariamente política, sem deixar de incluir elementos económicos, sociais e culturais. É notória uma recorrente tentativa de identificar os grupos sociais (designados por “classes”) e interesses por detrás dos conflitos e movimentações históricas, mais vincada na segunda obra. Na opinião deste Autor, a história dos países pequenos é particularmente instrutiva e rica em lições, o que justifica o seu estudo. Portugal terá cometido ao longo da sua história um grande número de “erros”. Ainda assim, e embora as suas maiores glórias sejam passadas, o norte-americano nega que os portugueses sejam um povo decadente. Em ambos os livros, o historiador é sucinto no seu relato da primeira dinastia portuguesa, saltando alguns reinados e tratando outros com brevidade, embora considere que a história deste período se resume à história dos seus monarcas. A causa por detrás da fundação nacional não é algo que o preocupe, sumariando apenas a diferença de opiniões sobre o tema e concluindo que a nacionalidade deve mais à história e ao “sentimento” do que a demarcações geográficas ou linguísticas. Menospreza o papel das Cortes e dos representantes concelhios nelas presentes. Já a crise de 1383-85 merece-lhe mais destaque, vendo-a como a prova de uma consciência nacional precocemente desenvolvida e como um ponto de partida para a transformação de Portugal, conduzido pela Casa de Avis a uma renovação da nobreza (com base na “burguesia” que apoiou D. João I), ao absolutismo régio e à expansão ultramarina. |
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