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A época da expansão desperta claramente o maior interesse deste historiador, que a trata também nos artigos acima mencionados e no capítulo dedicado aos portugueses da sua obra sobre os primeiros “impérios coloniais” (publicada em 1966). Aqui, assume no geral uma postura laudatória dos feitos portugueses e do papel que tiveram na história mundial, salientando os contributos para o conhecimento do mundo que resultaram das suas viagens. Como motores iniciais das “descobertas” identifica o ímpeto cruzadístico, a motivação económica (busca de ouro), a impossibilidade de expansão fronteiriça na Península e a “energia acumulada” do povo português no período anterior. Se, contudo, a capacidade náutica portuguesa lhe permitiu um papel pioneiro nos “Descobrimentos”, o Autor considera igualmente que o nosso era um país inadequado para a empreitada imperial, já que lhe faltava uma classe média comercial e bancária forte, que pudesse suportar os custos elevados de um tal esforço, impossíveis para a Coroa sozinha. Nowell vê na expulsão dos judeus sob D. Manuel I uma razão acrescida para essa ausência. Aponta também outras causas para o declínio que se seguiu à época áurea expansionista, como o uso de escravos africanos na agricultura portuguesa, a “convivência racial” na Ásia e a inevitável competição de potências mais fortes e aptas ao domínio de impérios. Na expansão o historiador encontra (numa linha não particularmente original) a causa do esgotamento das energias nacionais portuguesas que levou à posterior estagnação do país – da qual este ainda não teria, afirma, recuperado. O relato dos séculos seguintes, da União Ibérica ao Estado Novo, é também razoavelmente detalhado, em especial no tocante ao séc. XIX. Particular destaque é dado a aspetos que se relacionem com a história do Brasil. O Tratado de Methuen é defendido como tendo sido benéfico para Portugal. O Autor não vê favoravelmente os liberais portugueses ou qualquer um dos vários textos constitucionais oitocentistas, embora critique com maior veemência a fação miguelista. Aponta ocasionais pontos positivos (a abolição da escravatura, por exemplo), mas no geral considera o parlamentarismo português como um regime pautado pelo insucesso, além de negativamente influenciado pela Maçonaria. Igual ou pior crítica tece à Primeira República, não acreditando que a sua implantação tenha resultado de qualquer vontade popular nem que tenha obtido resultados construtivos. Quanto ao Estado Novo, evita tacitamente pronunciar-se, afirmando que serão os vindouros a julgá-lo, e limita-se sobretudo à descrição dos acontecimentos. |
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