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Em termos de figuras históricas individuais, Nowell tem com frequência opiniões bem marcadas. É elogioso do Infante D. Henrique (sem deixar, porém, de realçar que não foi ele o responsável pelo projeto de atingir a Índia), mas é ao seu irmão D. Pedro que atribui maior mérito pelo começo da expansão ao longo da costa africana. Revela igualmente apreço por D. João II, D. João III e Camões. Em contrapartida, é muito crítico de Vasco da Gama, que descreve, não obstante a importância histórica da sua viagem, como um indivíduo ignorante e violento, e não simpatiza com D. Sebastião. Se louva, talvez surpreendentemente, o rei D. João V, desagrada-lhe a figura do Marquês de Pombal. Não se limita a enfatizar os atos cruéis e despóticos do ministro, mas coloca também em causa as suas alegadas capacidades como governante e economista, declarando que as suas medidas para desenvolver o país falharam. Elogia alguns políticos liberais como Andrade Corvo, Pinheiro Chagas e João Franco. Finalmente, reconhece a Salazar mérito por ter obtido décadas de governo “funcional” para Portugal, julgando, todavia, que o ditador se manteve no poder por demasiado tempo, e deposita esperança em Marcelo Caetano e no seu governo (esta última consideração, claro está, apenas na obra de 1973). Nestas histórias mais alargadas, especialmente na segunda, o historiador dedica algumas páginas a outro tema do seu interesse, o imperialismo português oitocentista em África, sobre o qual escrevera já um artigo, em 1947. Volta ao tópico, explorando mais a fundo uma das suas facetas, em 1982, com The Rose-Colored Map: Portugal's attempt to build an African empire from the Atlantic to the Indian Ocean . Em comparação com os seus trabalhos de caráter geral, esta obra faz uso mais amplo de fontes primárias. Ne la, o Autor afirma inovar em relação à bibliografia anterior sobre o Mapa-cor-de-ro s a (cita e s pecificamente o s trabalho s de Jame s Duffy, Richard Hammond e Eric Axel so n) ao de s locar o foco principal, da diplomacia europeia para a s tentativa s de penetração e ocupação do interior africano. De facto, expedições como as de Brito Capelo, Roberto Ivens e S erpa Pinto, entre outra s , s ão minucio s amente de s crita s , enunciando a s área s por ela s cartografada s , a s ob s ervaçõe s científica s , o s tratado s com lídere s locai s e até os percalços do dia-a-dia. O objetivo primário de Nowell é demon strar que a criação de u m corredor português co s ta-a-co s ta foi consistentemente uma política do s governo s liberai s ante s e durante o período da “corrida a África” europeia e que, ainda que não tenha s ido e s tabelecida uma pre s ença portugue s a efetiva no e s paço entre Angola e Moçambique, foram dado s ne ss e s entido pa ss o s não in s ignificante s . Na opinião de ste Autor, a posição portuguesa em África enfrentava grandes dificuldade s (sendo a maior de toda s a falta de inve st imento por privado s ), ma s não era tão de s vantajo s a como veio a s er po s teriormente afirmado. A ho stilidade do primeiro-ministro britânico Salisbury e dos britânicos n o geral para com Portugal é algo criticada, e o s políticos e agente s portugue s e s que procuraram concretizar o Mapa-cor-de-ro s a elogiado s pelo s eu patrioti s mo e valor. Esse patriotismo e o “orgulho nacional” são representados como os principais motores dos projetos portugueses de colonização africana. |
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