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De um modo geral, Oman apresenta uma visão positiva do povo português e do seu papel no conflito napoleónico, ao lado dos britânicos (embora estes últimos lhe mereçam os maiores elogios). Crítico de historiadores seus compatriotas que menosprezaram o papel dos aliados, o Autor realça as provações e dificuldades que Portugal sofreu às mãos do invasor e os sacrifícios que a população teve de fazer em prol da sua defesa (nomeadamente, devido à política de terra queimada de Wellington). As derrotas iniciais das forças portuguesas são explicadas por este historiador como resultantes do estado de desorganização e descuido em que o exército português se encontrava no início do século XIX. Mas uma vez reorganizados pelo Marechal Beresford e incorporados nas forças de Wellington, os militares portugueses (em particular a infantaria) deram repetidamente provas de valor e mérito, tanto na defesa do seu país como na campanha subsequente em Espanha e França. Também o papel das forças não regulares, a Ordenança (sobre cuja organização, todavia, o Autor se engana) e as milícias, é salientado e elogiado, sobretudo pelas ações de guerrilha que levaram a cabo e que enfraqueceram consideravelmente os exércitos franceses. Por outro lado, tece com frequência críticas às chefias portuguesas, em particular ao Conselho de Regência. Oman considera que vários outros autores que trataram o tópico da Guerra Peninsular antes de si, em particular William Napier, não possuíam distanciamento suficiente para uma correta análise histórica e que os seus trabalhos denotam parcialidade ou falta de conhecimento de conjunto. Pretende ser, por isso, uma alternativa mais neutra e desapaixonada a esses antecessores e em certa medida consegue-o: embora revele alguma antipatia pela figura de Napoleão, não hesita em salientar os momentos em que os generais franceses se destacaram pela positiva na sua estratégia ou conduta. Do mesmo modo, o seu patriotismo não o impede de referir os erros e insucessos dos combatentes britânicos, ou os saques e violências por eles cometidos. Procura igualmente avaliar com justiça os líderes das forças britânicas, pondo em evidência tanto as suas qualidades como os defeitos. Oman revela, contudo, uma talvez excessiva admiração pelo duque de Wellington, pelo menos enquanto estratega e comandante, que o leva a tentar justificar todas as suas decisões e a defendê-lo de todos os críticos. Finalmente, quando aborda a política interna inglesa, denuncia por vezes o seu partidarismo pró-conservador e anti- whig . |
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