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Embora de origens sul-africanas, foi em França que o historiador e africanista William Graham Lister Randles se formou e exerceu a sua atividade académica. A nossa informação sobre o seu percurso é muito limitada. Em 1958, apresentou na Sorbonne a sua tese de doutoramento em história, sobre as representações do sudeste africano na literatura europeia do séc. XVI, que publicaria no ano seguinte. Assumiu em 1990 o cargo de diretor de estudos na École des hautes études en sciences sociales de Paris. Contribuiu para revistas como os Annales e parece inserir-se na escola historiográfica francesa protagonizada por esta publicação. Colaborou na Histoire générale de l'Afrique noire dirigida por Hubert Deschamps, de 1970-71. Os trabalhos históricos de Randles focaram-se em duas temáticas ou áreas de interesse principais, que se interligam ambas com aspetos da história portuguesa. Nas suas obras, faz, portanto, extenso uso de fontes portuguesas, em particular dos séculos XVI e XVII – entre elas, contam-se textos de João de Barros, Diogo de Couto, Damião de Góis, Jerónimo Osório, António Bocarro, António de Cadornega, etc. Uma dessas temáticas é a história da África subsaariana e das culturas e povos bantus que a habitam, tanto antes como depois da presença europeia, uma área de estudo em expansão desde meados do século XX, quando Randles acrescenta a sua contribuição, que consiste em vários artigos e em dois livros; o primeiro, de 1968, traça um retrato do reino do Kongo (inserindo-se aqui numa tendência historiográfica para a qual também contribuem Georges Balandier, J. Cuvelier, Jan Vansina e David Birmingham, entre outros) e o segundo, de 1975, faz o mesmo para o “império” do Monomotapa (no seguimento de George Theal, Eric Axelson e do arqueólogo D. P. Abraham). Em ambos os casos, além de traçar a sua evolução política, o historiador procura dentro do possível proceder a uma caracterização económica, social, religiosa e inclusive demográfica e urbanística desses espaços. A sua abordagem de tais temáticas segue uma linha parcialmente antropológica, assente em modelos e comparações com culturas bantus mais recentes, mas baseia-se sobretudo (criticamente, como não poderia deixar de ser) nos relatos dos europeus que entraram em contacto com os povos em estudo. De entre estes, os escritos em português são os mais abundantes. |
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