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Mas não é só no papel de observadores que os portugueses têm interesse para Randles, que analisa as interações e choques interculturais e o impacto da presença portuguesa (e de um modo geral europeia) nas civilizações africanas. A sua avaliação é de que tal presença foi na quase totalidade disruptiva das estruturas locais e prejudicial para os habitantes dessas regiões. Apelida de falsa a noção de que as primeiras relações entre os reinos de Portugal e do Kongo foram de amizade e diplomacia entre iguais. Mas refere outras alianças com povos africanos, nomeadamente os “jagas” angolanos. Considera que, apesar de a sua presença efetiva no continente ser reduzida, os habitantes portugueses na África ocidental – quer de S. Tomé, quer de Luanda – tiveram um grande impacto nas entidades políticas da região, que combateram, suplantaram ou avassalaram, sempre motivados pela procura do lucro comercial, nomeadamente o resultante do tráfico de escravos. Este tráfico em particular é apresentado como altamente destrutivo, demográfica e economicamente. Os séculos viram o poder outrora real do Manicongo reduzido a uma escala mínima e simbólica, mesmo antes da sua oficial sujeição às autoridades coloniais no século XIX, época em que o poderio português sobre Angola se solidifica. Além da esfera político-económica, Randles interessa-se também por outros tipos de influências e transformações, como a religiosa – descreve como o Cristianismo se interligou e sincretizou com as tradições autóctones sem as substituir, levando a casos interessantes como o movimento messiânico de Chimpa Vita (ou D.ª Beatriz), que no séc. XVIII afirmou ser a reincarnação de Santo António. |
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