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Winius identifica outros pontos fracos do império oriental português. Entre os aspetos negativos que levanta estão as dificuldades de financiamento, uma vez que a maior fonte de lucro – o tráfego da Rota do Cabo – estava reservado para os cofres régios em Lisboa, as especificidades dos postos administrativos (com nomeações baseadas em estatuto e não em mérito e durando apenas três anos), a desorganizada situação dos soldados, a escassez de capital humano e a corrupção. Referindo-se a esta última, o Autor baseia-se obras de Diogo de Couto ( O Soldado Prático ) e Francisco Rodrigues de Silveira, que analisa criticamente. Guiando-se por estes textos e por outras fontes (tanto oficiais como relatos de viajantes), nota que a corrupção generalizada que imperava na Índia portuguesa, com constante desvio de capital, contrabando levado a cabo por oficiais e venda de ofícios, não era vista pelos contemporâneos como mero funcionamento “normal” do sistema imperial, mas sim ativamente criticada. Embora aponte todas essas fraquezas, Winius põe em causa o conceito de “decadência” ou “declínio” do império asiático português defendido por outros autores – a seu ver, no seguimento de Diogo de Couto, e constituindo uma verdadeira “lenda negra” de venalidade e fraqueza. Aponta que a corrupção e a incapacidade dos oficiais (inclusive dos vice-reis) era a regra e não a exceção desde, pelo menos, a morte de Afonso de Albuquerque. Segundo a sua análise, o império não declinou substancialmente na sua estrutura na viragem para o séc. XVII e as perdas territoriais que veio a sofrer resultaram sobretudo do confronto com inimigos militar e organizacionalmente superiores (a Companhia das Índias Orientais holandesa) e de uma mudança do foco metropolitano para o Brasil. |
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