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Além do Estado da Índia “oficial”, o historiador interessa-se por aquilo que designa império sombra , constituído pelos portugueses que circulavam e se estabeleceram em regiões fora do controlo efetivo do seu reino, como a área indiana de Bengala ou as ilhas do sudeste asiático. Estas comunidades de soldados sem serviço e casados empreendedores sobreviveram em certos casos à chegada dos holandeses e ingleses e até prosperaram sob o domínio destes. Winius atribui-lhes um papel importante no alargamento da influência europeia na Ásia – inclusive superior ao do Estado da Índia propriamente dito – e apela à continuação e desenvolvimento do seu estudo. Já Luís Filipe Thomaz (“ Estrutura política e administrativa do Estado da Índia no século XVI ”, 1985) tinha enfatizado a multiplicidade de formas na “rede” portuguesa no Índico e a sua dimensão não-oficial. António Hespanha viria a aprofundar esta temática, culminando na sua paradigmática obra Filhos da Terra (2019), dando assim continuidade às teses de Thomaz e Winius. De resto, é esse papel de conectores entre Ocidente e Oriente, de precursores do mundo globalizado, que George Winius parece mais apreciar nos portugueses e que, presumivelmente, o levou a dedicar-se sobretudo a este império. Elogia frequentemente, ao longo das suas obras, tanto portugueses individuais como o povo português e os seus feitos . Se reconhece as deficiências do sistema imperial português, é também rápido a apontar que estes não tinham exemplos prévios e desenvolveram estratégias a partir do zero, diferentes das suas experiências anteriores no Atlântico e em África, que lhes permitiram prosperar numa realidade nova, abrindo o caminho aos impérios que se seguiram, que nunca teriam surgido sem os seus predecessores portugueses. |
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