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Os primeiros trabalhos do historiador ocuparam-se em grande parte das sucessivas políticas dos portugueses (particularmente da colónia de Luanda) nos primeiros séculos da sua presença em Angola, cobrindo todo o período pré-colonial. Se, para Birmingham, tal presença foi consistentemente caracterizada pela “aplicação da política económica, mediante a força das armas” (Birmingham, Portugal e África , 2003, p. 138), as estratégias que guiaram essa política não foram imutáveis, passando por uma fase inicial mais centrada no comércio, seguida por um longo período de guerras e campanhas militares de conquista – com sucesso algo limitado – antes de um regresso ao predomínio da atividade comercial. Contudo, mesmo nas fases relativamente mais “pacíficas” os portugueses faziam amplo uso da violência, procurando dessa forma assegurar um monopólio comercial e outras vantagens. Os interesses económicos foram um foco particularmente importante para Birmingham e através deles o Autor explicava a contínua presença portuguesa em África. Sem ignorar o zelo religioso e missionário, na sua visão o que compelia os portugueses em Angola eram as vantagens económicas, reais ou imaginadas: as minas de sal, os alegados depósitos minerais (de prata, ouro ou cobre) e, acima de tudo, os escravos. O tráfico destes assumiu, como é bem sabido, proporções gigantescas e tornou-se praticamente a única fonte de riqueza da região. O historiador defendeu, tal como Charles Boxer, que o volume deste tráfico impediu o desenvolvimento de quaisquer outras atividades produtivas em Angola, reorganizando toda a economia para a pôr ao serviço de uma única forma de comércio, quer do lado dos colonos de Luanda, quer dos potentados africanos vizinhos. As campanhas militares portuguesas destinavam-se igualmente à captura de escravos ou à “pacificação” e controlo das rotas por onde chegavam a Luanda e Benguela. Por essas razões e pela depredação demográfica que causou, o impacto do tráfico na região foi imenso. Somente depois da abolição do tráfico e da própria escravatura é que Angola passou, lentamente, a voltar-se para outros recursos económicos, como o café (cuja exploração no Cassanje o Autor analisou num artigo de 1979), os diamantes e o petróleo. |
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