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Dada esta linha de interpretação, é compreensível que o Autor se preocupe bastante com apreender a personalidade e o modo de ser dos seus objetos de estudo. Para essa tarefa contribuem relatos da sua vida pública e privada, uma boa dose de extrapolação fisionómica (a partir dos retratos oficiais) e o suposto caráter genealógico (por exemplo, Bragança ou Bourbon) e nacional resultante da sua origem. O peso atribuído a características nacionais (algo assentes em estereótipos) é evidente sempre que Cheke faz referências a franceses ou espanhóis, mas o suposto caráter nacional dos portugueses (melancólico, devoto, supersticioso, pacífico, etc.) é particularmente importante para a sua narrativa. Tal caráter, ou espírito , nacional português é um dos fatores determinantes para o desenrolar da História – não obstante a tendência personalista referida, este historiador identifica movimentações históricas mais alargadas. Em meados de Setecentos, o Marquês de Pombal e os seus adversários aristocratas e clericais personificam forças em oposição, respetivamente a modernidade/racionalidade e a reação/obscurantismo. Na fase seguinte, D.ª Carlota e D. Miguel encabeceiam a mesma frente reacionária. Os seus adversários liberais, contudo, expressam para este Autor não tanto aspirações legítimas do povo português como interesses de sociedades secretas e maçónicas. Cheke é crítico do Liberalismo vintista, no qual vê um radicalismo revolucionário e excessivamente democrático que procurava importar para Portugal ideias (francesas) inadequadas para a situação e para a disposição dos portugueses. Já o Marquês de Pombal tinha fracassado nos seus objetivos modernizantes, mais do que por quaisquer outros erros, por ter pensado que poderia por pura força da sua vontade impor ao país ideias e modelos que lhe eram estranhos e hostis. Não que o britânico seja exatamente favorável à “reação”; censura a excessiva religiosidade e a influência da Igreja Católica que mantinham Portugal ignorante e supersticioso, além de economicamente subdesenvolvido. |
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