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Cheke não se coíbe, de resto, de expressar juízos condenatórios ou laudatórios das figuras sobre quem escreve, por vezes de forma mordaz. D.ª Carlota, além de célebre pela sua fealdade, é descrita como cruel e pouco inteligente. Os liberais que redigiram a Constituição de 1822 são, para o Autor, indivíduos ambiciosos e arrivistas, mas também idealistas iludidos incapazes de compreender as verdadeiras necessidades do país. Por D. João VI, indeciso e fraco, mas sagaz e bem-intencionado, o historiador mostra clara simpatia, bem como por figuras particularmente anglófilas, como o Duque de Palmela. O seu retrato de Pombal é sensível às ambiguidades do ministro – critica a crueldade que mostrou para com os seus inimigos e as medidas repressivas que pôs em prática, além da já referida desconexão com o espírito propriamente português e incapacidade de o reconhecer. Por outro lado, é elogioso das suas medidas económicas, do seu papel aquando do terramoto de 1755 (cujo relato tradicional, atribuindo total responsabilidade pela reconstrução ao ministro, aceita de modo pouco crítico) e, acima de tudo, pela expulsão dos jesuítas e redução do poder clerical, que considera o seu maior feito. Curiosamente, Cheke não se ressente da atitude relativamente antibritânica de Sebastião José, atribuindo responsabilidade pela mesma às pretensões irrazoáveis das comunidades mercantis inglesas estabelecidas em Lisboa e no Porto. Se é por vezes crítico dos seus concidadãos privados, o Autor não estende essa crítica ao governo de Sua Majestade, defendendo repetidamente que Portugal e o Reino Unido se mantiveram amigos fiéis e que a manutenção da Aliança entre os dois correspondeu sempre aos melhores interesses do reino lusitano. Talvez devido à sua própria ocupação diplomática, o historiador dá amplo foco ao papel dos colegas que representaram antes de si o seu país em Lisboa (e em menor medida ao de embaixadores de outros países), bebendo da correspondência diplomática o que narra em algumas partes do seu relato. Cita também testemunhos de outros estrangeiros que tinham visitado Portugal nos períodos a que se refere, além, claro está, de fontes portuguesas. |
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