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Para além de uma notável carreira política e diplomática e de intensa atividade jornalística e literária, o indiano Sardar Kavalam Madhava Panikkar assumiu também o ofício do historiador, discorrendo sobre o passado indiano, sobre a Ásia no geral e sobre o impacto das potências europeias, incluindo Portugal, nesse continente. Madhava Panikkar nasceu em 1895, em Kavalam, na atual província de Kerala, que era então parte do reino de Travancore, no sul da Índia britânica. Provinha de uma família de proprietários locais, da casta nair . Ainda criança, aprendeu a ler e escrever em casa, antes de frequentar a escola da aldeia. Passou nos anos seguintes por várias escolas, em Trivandrum, Thalavadi, Kottayam e Madras, antes de viajar para o Reino Unido, em 1914, para prosseguir estudos superiores na Christ’s Church, Universidade de Oxford. Formou-se em história. Os anos passados na Europa foram para Panikkar extremamente formativos. Regressando à Índia em 1918, casou-se e trabalhou como professor universitário antes de optar por se dedicar ao jornalismo, em 1925, data em que começou a editar o jornal Hindustan Times . No mesmo ano voltou à Europa, visitando desta vez vários países, entre eles Portugal, onde teve oportunidade de frequentar a Biblioteca Nacional em Lisboa, cidade com a qual, contudo, se confessou desapontado. De fortes convicções independentistas (desenvolvidas ainda em Oxford), Panikkar envolveu-se na luta pela autonomia política indiana, travando conhecimento com figuras tão célebres como Mahatma Ghandi e Vijay Lakshmi Pandit e fazendo parte de várias das conferências com as autoridades britânicas dedicadas ao tema. Ao mesmo tempo, foi nesta fase secretário do chanceler da Câmara dos Príncipes indiana e ocupou cargos em vários dos estados principescos que constituíam parte integrante do império britânico. Em virtude desta dupla associação, defendia uma nação indiana unificada e independente, mas constituída politicamente como uma confederação desses vários principados. Quando a sua pátria se tornou finalmente politicamente autónoma (em 1949), Madhava permaneceu devoto ao serviço público, exercendo funções de embaixador na China (onde assistiu à transição do regime republicano para o comunista), no Egito e em França ao longo da década de 1950. Integrou uma comissão nomeada para estudar a questão da reorganização dos estados indianos, unificando num só sistema o mosaico de categorias e estatutos que existiam no período colonial, tarefa complexa que lhe ocupou os anos de 1953 a 1955. Foi mais tarde membro do parlamento indiano entre 1959 e 1961 e regressou depois disso ao mundo académico, nas universidades de Caxemira e Mysore. Durante toda a sua vida, além das suas funções oficiais, dedicou-se à escrita de poemas e romances, tanto em inglês como na sua língua nativa, malaiala. |
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