XVIII e XIX» (1936), de Mário de Sampaio Ribeiro, um investigador cujos múltiplos estudos sobre a biblioteca de música e os tratados teórico-musicais de D. João IV, sobre as escolas polifónicas de Évora e Coimbra ou sobre os principais compositores do barroco joanino representam, no entanto, um monumento de erudição preciosa que transcende um muito o respectivo enquadramento ideológico original. Na mesma linha de pensamento se inserem Manuel Joaquim, responsável pela descoberta e edição moderna do primeiro cancioneiro poético-musical quinhentista e das mais antigas obras polifónicas portuguesas e por importantes catalogações de arquivos musicais (Elvas, Viseu, Coimbra, Vila Viçosa), e mais tarde José Augusto Alegria, a quem se deve a edição moderna de uma parte muito significativa do património documental e musical das escolas de Évora e Vila Viçosa, com destaque para as obras completas de Frei Manuel Cardoso e João Lourenço Rebelo, e.o. Mais ligados ora a uma ora a outra destas duas correntes de fundo do pensamento teórico e metodológico que, em quadrantes ideológicos opostos, presidiram aos crescimento gradual da disciplina em Portugal, vão surgindo entre as décadas de 30 e 60 múltiplos contributos individuais para a actividade musicológica, tanto na área da edição como na da investigação histórica. A primeira colecção de transcrições modernas de obras polifónicas deveu-se a Júlio Eduardo dos Santos ( A Polifonia Clássica Portuguesa, 1937), Mas compositores de gerações sucessivas como Francisco de Lacerda, Jorge Croner de Vasconcelos, Armando José Fernandes ou Ivo Cruz interessaram-se também eles com maior ou menor regularidade pelo estudo, transcrição e execução de obras portuguesas dos séculos xvi a xviii . Já nos anos 60 e 70 deve-se ao compositor e maestro Filipe de Sousa, muito em especial, a preparação das versões práticas que permitiram grande parte das primeiras execuções modernas de ópera portuguesa setecentista. Ao mesmo tempo, vários eruditos locais como Gonçalo Sampaio ou Álvaro Carneiro, e.o., foram trazendo a lume dados históricos relevantes para a história da música regional. Um marco crucial nesta evolução é o da vinda para Portugal de Macario Santiago Kastner, em 1934, trazendo consigo uma ligação privilegiada aos circuitos musicológicos internacionais que se traduziu desde logo na divulgação mundial de autores como António Carreiras, Manuel Rodrigues Coelho ou Carlos Seixas através das antologias para tecla editadas a partir de 1935 ( Cravistas Portugueses, Silva Ibérica ) por este musicólogo de nacionalidade britânica. Durante quase meio século, período em que trabalhou sobretudo de forma quase isolada, Kastner constituiu-se como personalidade decisiva para a integração da informação histórico-musical portuguesa nas panorâmicas historiográficas europeias e ao mesmo tempo de acesso dos músicos e musicólogos portugueses à investigação e à produção bibliográfica internacionais.