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Boxer vê o império português, em especial no Índico, como resultado da tradicional explicação bifaciada enunciada (dita a lenda) por Vasco da Gama em Calecute, “cristãos e especiarias”, ou seja, esforço missionário e cruzadístico aliado à motivação económica. Segundo este historiador, a dicotomia entre a religião e o comércio, “Deus e Mammon”, ora interligados, ora em conflito, é a matriz do império português, em todas as suas possessões, da sua fundação ao seu declínio. Uma terceira faceta, a militar, é igualmente omnipresente, constituindo o molde em que as outras duas se inscrevem. Por essa razão, a par de analisar as políticas e instituições do império e narrar as suas conquistas e perdas territoriais, o Autor estuda o papel multifacetado das ordens religiosas e do Padroado e dedica alguma atenção às atividades económicas, nomeadamente a exploração do açúcar e, mais tarde, à prospeção aurífera no Brasil, bem como o tráfico esclavagista (considera este tráfico o principal responsável pela ausência de desenvolvimento de uma colonização produtiva e estruturada em Angola até ao período contemporâneo). Procura ainda caracterizar a população do império. Neste domínio o seu foco está sobretudo no número muito reduzido da população branca e sua elevada mortandade, bem como na frequente miscigenação étnica e cultural (por exemplo, no caso desta última, a “africanização” dos senhores de prazos na Zambézia). Essa miscigenação, ligada a um suposto maior apego às regiões onde se instalavam por parte dos portugueses, é apresentada pelo Autor como uma das causas do seu sucesso e permanência enquanto império, juntamente com a ação de missionação católica, que plantava raízes profundas, e aquilo que Boxer vê como a “determinação” natural do povo português; a este último fator é atribuída grande importância. Se o declínio do império índico fora inevitável, devido à competição holandesa e inglesa, Portugal tivera sucesso em recriar o seu império no Brasil – recuperando por algum tempo a prosperidade de outrora – e uma terceira vez em África. |
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