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O historiador destacava consistentemente nas suas narrativas o papel de atores individuais: agentes dos impérios, aventureiros privados, missionários e outros religiosos, etc. Numa época (meados do séc. XX) em que a historiografia se distanciava um pouco da produção de biografias, Boxer pautou-se pela apologia do modelo biográfico, da “vida e dos tempos”. Discorreu sobre a vida de figuras marcantes, como Salvador de Sá e Benevides e o Padre António Vieira (não chegou, porém, a completar a biografia deste último que planeara). Tinha um especial fascínio pela figura do guerreiro-letrado, com “numa mão a pena, na outra espada” e com ambas servindo a sua pátria, da qual eram exemplos Camões e Diogo de Couto, uma tradição na qual o próprio Charles, de certo modo, se inseria. Diogo de Couto era também um seu precursor como historiador, juntamente com João de Barros. O Autor dedicou-lhes artigos, admirando-os e vendo-os como os primeiros orientalistas, pelas descrições que deixaram das culturas asiáticas encontradas pelos portugueses, cujo potencial como fontes históricas é realçado. A valorização das biografias não foi o único aspeto a diferenciar Boxer das tendências historiográficas do seu tempo. Face aos seus contemporâneos da célebre escola francesa dos Annales , as narrativas de Boxer são menos focadas em sistemas e estruturas socioeconómicas, menos assentes na Longa Duração e mais na sucessão de eventos políticos e militares, com grande importância atribuída a agentes individuais. Convém, contudo, não exagerar este ponto. Como já referido, o Autor não descurou a realidade económica como fator explicativo de império. Incluía com frequência dados quantitativos a este respeito (embora compilados por outros investigadores) e dedicou-se à análise de várias facetas da realidade social, desde o papel das mulheres no espaço imperial aos municípios ultramarinos. Não tem uma relação antagonística com os historiadores dos Analles , pelo contrário, cita elogiosamente Vitorino Magalhães Godinho e Jacques Le Goff. |
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