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Professor, matemático, jornalista, político, governante, embaixador e historiador, Duarte Leite Pereira da Silva deixou uma marca metodológica indelével, a partir dos anos vinte do século XX, na renovação da historiografia portuguesa, sobretudo no que se refere aos séculos XV e XVI, e em particular no estudo das viagens marítimas e dos Descobrimentos. Consolidou as suas propostas interpretativas nas décadas seguintes de trinta e quarenta, através de uma obra dispersa e fragmentada, de que reeditou apenas uma parte em alguns opúsculos e livros. Escassos oito anos após a sua morte, em 1958, Vitorino Magalhães Godinho (VMG) (1918-2011), ciente do valor e do alcance dos seus estudos, reuniu e organizou numa coletânea de esparsos, a grande maioria dos trabalhos de história deste professor de Matemática, atribuindo-lhe o significativo título de História dos Descobrimentos . Sinal da influência duradoura do embaixador na historiografia, VMG dedicou-lhe, em 1965, um verbete no Dicionário de História de Portugal (dir. Joel Serrão). Duarte Leite nasceu no Porto, na freguesia de Santo Ildefonso, a 11 de agosto de 1864, e faleceu na mesma cidade em 1950. Passou os últimos anos da sua vida em Meinedo, Lousada, onde escreveu e reviu a maioria dos seus estudos de história. De acordo com os dados genealógicos disponíveis do patriciado urbano quinhentista da cidade do Porto, as raízes familiares de Duarte Leite entroncam, muito provavelmente, na família dos Leites, cujos membros, desde meados do século XV, estiveram associados à Fazenda e à Casa da Moeda do Porto, ocupando importantes cargos na vereação da cidade e posições destacadas na vida religiosa, em funções militares no Norte de África e na exploração da costa do Brasil. Os Leite encontram-se entre as primeiras famílias daquele burgo nortenho a estabelecerem acordos nupciais com cristãos-novos abastados que dominavam as redes financeiras e de comércio, no império português e na Europa. |
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