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Duarte Leite renova profundamente os estudos sobre o infante D. Henrique, desconstruindo os alicerces em que assentava a sua imagem consagrada. «A sabedoria do Infante», «A Escola de Sagres» (1933), «Acerca da Crónica dos feitos da Guinee» (1941) e «O Plano da Índia e os nossos escritores» (1942), foram textos que abriram uma nova visão da época henriquina e serviram de esteio aos trabalhos de Vitorino Magalhães Godinho, Luís de Albuquerque (1917-1992), Teixeira da Mota (1920-1982) e Peter Russell (1913-2006), que viriam a confirmar o seu ceticismo quanto a um “plano henriquino” e a um “sigilo” sistemáticos. Porém, por destoarem da ortodoxia nacionalista então dominante, os seus trabalhos foram violentamente atacados na sua orientação metodológica — sobretudo quando empreendeu uma análise crítica minuciosa das crónicas e demais fontes dos séculos XV e XVI, da autoria de Gomes Eanes de Zurara, Duarte Pacheco Pereira, Damião de Góis e João de Barros, que tinham construído uma imagem do infante D. Henrique. O historiador refutava, numa postura inédita para o seu tempo, os autores que, ao escreverem as suas crónicas numa época em que as armadas partiam rumo ao Índico, retratavam um Infante que projetara atingir a Índia. Concluía, também, não ter fundamento defender a existência de uma «Escola de Sagres», ao demonstrar a frágil cultura científica do infante D. Henrique, para concluir que os navegadores henriquinos não se encontravam familiarizados com a navegação astronómica. Opunha-se Duarte Leite a Joaquim Bensaúde, na definição de uma imagem do Infante de Sagres como herói e asceta que se desinteressava do comércio. Bensaúde ateve-se às conceções do «plano da Índia» e do «espírito de cruzada» do Infante — ideias amplamente defendidas nas suas obras Origines du Plan des Indes (1929) e A Cruzada do Infante D.Henrique (1942) — segundo as quais, perante o bloqueio muçulmano (turco otomano) das rotas do Levante e do Suez, buscaria contornar África para atacar o Islão pela retaguarda e restabelecer uma aliança com o Preste João. Estas teses tiveram larga difusão na historiografia portuguesa e internacional dos anos trinta a cinquenta, num contexto de nacionalismo imperial. |
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