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A crítica a Zurara envolveu Duarte Leite numa das suas polémicas mais acérrimas, travada com Álvaro Júlio da Costa Pimpão. Num estudo de 1926, na revista coimbrã Biblos , Costa Pimpão sustentara que Gomes Eanes de Zurara escrevera não uma, mas duas obras distintas — uma Crónica ou Livro dos feitos do Infante D. Henrique (o «Panegírico») e a Crónica dos Feitos da Guiné —, tese que Duarte Leite viria a acolher e desenvolver em “Acerca da «Crónica dos feitos de Guinee»” (1941). Avançando pela análise codicológica, concluiu que a Crónica, “começada em vida do infante D. Henrique, foi acabada depois de sua morte em 1460, e não em 1453”, e que o escrito laudatório aludido na carta-dedicatória a D. Afonso V era peça distinta da Crónica, ainda que nela sobrevivessem transcritos trechos ou capítulos seus. Sobre a datação e a autoria houve convergência; a discórdia — que Pimpão não poupou em críticas pessoalizadas, aludindo à “tática” diplomática do crítico de “ir isolando os adversários para os abater mais facilmente” — incidia na interpretação do pensamento de Zurara: enquanto Pimpão, próximo de Joaquim Bensaúde, lia a empresa henriquina como “uma conquista, uma cruzada contra o Mouro”, o matemático recusava essa leitura, que a seu ver escamoteava o “proveito” material. Coisas de vária história , livro publicado em 1941, recolhe textos dos anos imediatamente anteriores. Esse ano baliza a produção historiográfica de Duarte Leite, fruto do labor na década anterior. Naquela edição, a juntar aos textos que tratam das prioridades do descobrimento dos arquipélagos atlânticos, da presença portuguesa na América do Sul antes de Colombo e da «economia do açúcar madeirense», é compilado um conjunto de artigos, saídos da sua pena na Seara Nova , durante os meses de fevereiro e março desse ano, que analisam e criticam o modelo explicativo de Jaime Cortesão ( Teoria Geral dos Descobrimentos Portugueses ), que este autor apresentara no Congresso do Mundo Português, em 1940, e que via nos Descobrimentos a execução de um plano estratégico traçado desde o tempo do infante D. Henrique rumo à Índia, a coberto de uma deliberada «política de sigilo». |
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