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Quando cessou as funções diplomáticas, em 1931, o embaixador retomou os seus trabalhos historiográficos. Logo nesse ano publica Descobridores do Brasil , reunindo os artigos que dera à estampa no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro e na História da Colonização Portuguesa do Brasil (vol. I), agora providos de novo aparato crítico e documental, aos quais acrescentava elementos inéditos sobre Duarte Pacheco Pereira, tido por suposto descobridor do Brasil, e de Américo Vespúcio, reconhecendo que a obra contrariava as "opiniões assentes por autores consagrados" (Prefácio, p. 6). Nas duas décadas seguintes produz uma obra prolixa, fortemente crítica e revisionista das leituras historiográficas dominantes – uma história erudita e documental, com ausência de problemática, que se ficava pelo acontecimento, pelo registo e reprodução dos factos que a documentação revelava - publicada em artigos de jornais, especialmente n' O Primeiro de Janeiro , e em revistas, como o Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa , a Biblos — Revista da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra , a Revista da Universidade de Coimbra e, com particular relevo, na Seara Nova . Partindo das fontes disponíveis, Duarte Leite reavalia algumas das matérias da História dos Descobrimentos: «a vida e o saber do infante D. Henrique»; a «erudição de Gomes Eanes de Zurara»; a «teoria do sigilo»; o «Plano das Índias» que era atribuído ao infante D. Henrique; «a Cruzada do infante D. Henrique»; «o nascimento da navegação astronómica»; a História da Cartografia; a “prioridade no descobrimento do Brasil”. Mereceram ainda o seu interesse, a nacionalidade de Cristóvão Colombo e a castidade do infante D. Henrique, duas temáticas que se esforçou por desmistificar, em contracorrente com os argumentos do nacionalismo romântico e da hagiografia patriótica que vigoravam nesses anos. Uma parte da obra historiográfica de Duarte Leite assume a forma da recensão crítica, em réplica ao trabalho de outros autores. A obra de Duarte Leite adquire, desta forma, uma feição predominantemente dialógica e polémica, construída no confronto com Joaquim Bensaúde (1859-1952), Jaime Cortesão, Costa Brochado (1904-1989), Álvaro Júlio da Costa Pimpão (1902-1984), e é sobretudo nesse exercício de contestação metódica que reside o seu contributo decisivo para a refundação metodológica da História dos Descobrimentos. |
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