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O professor de Mecânica Racional ao criticar o edifício teórico de Joaquim Bensaúde, procurou demonstrar a argúcia política e o lado prático e pragmático de D. Henrique (1394-1460). Nessa perspetiva o filho de D. João I distinguia-se por um notável discernimento administrativo e uma apurada intuição mercantil, orientando a sua ação na canalização, para a sua Casa, dos proventos do comércio da costa africana. Nos seus empreendimentos manifestavam-se “pertinácia e sagacidade política, mas não obcecação religiosa”. Sem negar que o combate aos muçulmanos ou a conversão dos infiéis integrassem o horizonte ideológico da expansão henriquina, sustentava que animavam o Infante, “com igual e direi até com maior solicitude […] fecundos propósitos utilitários”, plenamente compatíveis com os interesses da fé. Reconhecia, contudo, o carácter deliberadamente polémico desta interpretação, observando que o seu retrato do Infante era “tão diverso do de Bensaúde que os diríamos inspirados em conceitos opostos, este idealista em extremo, aquele francamente materialista”, admitindo, ainda assim, que “a verdade está porventura num meio-termo”. Releve-se que o retrato pragmático e mercantil do Infante fixado por Duarte Leite contrastava com a hagiografia de João Ameal (1902-1982), para quem a História era determinada pelos grandes homens, e assim por ação de D. Henrique 'Portugal nasceu pela segunda vez'." Em convergência com Veiga Simões (1888–1954), Duarte Leite rejeitava a suposta incompatibilidade entre a tradicional vocação guerreira da nobreza e a sua crescente participação em atividades económicas, identificando, precisamente, o infante D. Henrique como o principal impulsionador dessa transição para um capitalismo comercial. Divergia, todavia, de António Sérgio (1883–1959) e de Vitorino Magalhães Godinho, recusando a ideia de que a conquista de Ceuta se explicasse pelo acesso aos circuitos de exportação de cereais e ouro. Para o embaixador, o elemento decisivo residia, de facto, na posição geoestratégica da cidade, que poderia servir de base naval privilegiada para o corso e um ponto de controlo das rotas marítimas que articulavam o Mediterrâneo com o Atlântico. |
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